O diário do último dia
Levanto e busco a malícia do meu singular olhar enrugado, sei que sou bem menos do que fui, os defeitos naturais acordaram com mais força hoje e isso e um mau pressagio.
Tomo café com aquele primeiro cigarro esse que mata mais que todos os outros, pra mim o melhor do dia, depois saio e caminho, círculo entre bom dias de mil anos, entre cachorros que me enchem de injúrias num linguajar que ainda desconheço, olho lentamente esses espaços inquietos entre bancas de jornais, nessas frias e indiferentes testemunhas de um bairro esquecido.
Já é meio dia, tento ter fome mais permaneço imóvel na mesa, quieto e triste, transcorrido em meus pensamentos, não como, prefiro ficar tomando meu chimarrão, o cálido amigo que restou, seu amargor é doce na dureza da solidão.
Perto das nove da noite deito, permaneço imóvel, vejo tuas tranças douradas novamente, sei que estas aqui mais linda e mais nova que antes, é visível a impaciência no teu rosto, mais todos teus detalhes me enchem de confiança , sei que me confortas com tua suavidade sem palavras, lembro do teu olhar triste e teus monossílabos que iam apagando junto com tua vida.
Meus olhos vão se apagando e a quietude é total quasse concreta, não sinto dor, e apenas minha última página .
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